sábado, 28 de julho de 2012

Apenas saudades



Chega sem razões aparentes,
Toma de assalto meus pensamentos,
Leva cativo meus sentimentos
Um leve sorriso submerge.

Ao lembrar nossas brincadeiras bobas,
De repente...
Abaixo a cabeça ao cogitar a triste realidade
De jamais revê-la.

Saudades...

Apenas saudades,
“Do grande amor da minha vida,
A princesa dos meus sonhos que não vejo
Faz uns dias”.

Jonas Lima
Santana-AP, 07 de julho de 2012.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Do Real ao Sonho-Real


Nos meus sonhos encontrei uma fenda para um universo paralelo, o que é apenas imaginação no mundo “real” ganha concreções. Acordo, e sinto-me estranhamente perdido, quase tudo não faz sentido.
Pessoas estranhas, gostos estranhos, sentimentos estranhos, objetivos de vida estranho (os objetivos da maioria dos seres humanos são contra a vida). Há uma estranha busca por “prazer suicida”. Aquilo que alegra a maioria é o que lhes mata.
Ainda bem que tenho meus sonhos, pois neles renovo as minhas energias para poder viver nesse estranho e louco Mundo.

Jonas Lima da Silva
Santana, 27 de junho de 2012

Um Mundo de faz de contas - Editado



Era uma vez um Mundo cheio de desigualdade, repleto de ódio, onde as pessoas não se amavam, a única coisa que importava era ser bem sucedido a qualquer custo. Contudo, havia uma pequena parcela deste Mundo que lutava por igualdade, justiça e amor, estes eram vistos como Loucos, pois o Mundo só pode ser Mundo se tiver Opressores para comandar e Oprimidos para serem comandados.
Os que eram tidos como Loucos começaram a ter êxito em sua ideologia libertária e igualitária, dia após dia mais e mais pessoas se tornavam adeptas ao movimento L.P.L. (Loucos por liberdade). Então, os poderosos e Opressores elaboraram um plano para sobrepujá-los, a primeira ação foi oferecer aos líderes do movimento cargos no Governo. Foi “dito e feito” essa proposta foi muito eficiente, pois os que assumiram os cargos no Governo se corromperam facilmente, o Dinheiro falou mais alto.
A segunda estratégia foi apenas o desdobramento da primeira, os Opressores usaram os que se corromperam para mostrar ao povo que não há ninguém que pense em ser solidário, pois quando aparece alguém assim ele está esperando apenas uma oportunidade de se dar bem. Se estiver que mentir ele vai mentir; se estiver que se corromper ele será corrupto; se estiver que matar, roubar ele fará sem pensar duas vezes. Enfim, os “Bons” só querem uma oportunidade para serem “Maus”.
Através do Poder os Opressores conseguiram desarticular o movimento e em pouco tempo foi eliminado completamente. Neste caso os Opressores não usaram a força física apenas a inteligência maquiavélica. Dizem por aí que a maioria dos líderes do movimento suicidaram-se, pois não suportariam viver mais num Mundo tão cruel e sem esperanças.
Para prevenir que outro movimento contrário ao Sistema se levantasse os Opressores, usaram uma velha e conhecida estratégia usada pelo Império Romano: a política do “Pão e Circo”. Assim o Mundo Real tornou-se o Mundo das fantasias, um Mundo de faz de contas. O povo deixou de sonhar e começou a viver de ilusões. Preferiram as milhas que caem da mesa do seu senhor do que sentar-se a mesa e comer o melhor.
Um povo anestesiado com as virtualidades engendradas pelo capitalismo prefere sobreviver a viver, pois viver é complicado demais. Viver requer humanidade, solidariedade, sinceridade, respeito, fé, esperança e amor, e são poucos que querem tais coisas.
O real é o que se vê; o que se toca; o que se cheira... Mas a maior ilusão é acreditar que somente isso é real.
Jonas Lima da Silva
Santana, 10 de novembro de 2009

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O Deus que fala do meio do redemoinho

William Blake


“Depois disto, o Senhor, do meio de um redemoinho, respondeu a Jó...” Jó foi o homem que conheceu o poder construtivo das perdas. Perdeu tudo. Perdeu todos. Os filhos haviam morrido, seus bens roubados ou devastados pelas catástrofes que sobre ele se abateram.
Sua saúde é atingida de tal modo que ele fica por um fio: incapaz de viver e incapaz de morrer—existindo no limbo onde nem a vida e nem a morte lhe são possibilidades de alívio. Sua mulher se des-casa de sua dor. Seus servos já não o reconhecem. Sua dignidade e virtudes antes aclamadas, são agora interpretadas por quase todos como uma grande falsificação. E, por último, perde os amigos, que interpretam sua calamidade como um juízo divino sobre a sua vida. Jó ficou só. E a companhia de seus amigos acusadores se lhe tornou presença idêntica a do Acusador. Seus amigos, sem o saberem, haviam se tornado mais danosos à sua alma que Satanás.
Jó quer saber o por quê. Geme. Pede a morte. Deseja ser um aborto. Amaldiçoa o dia de seu nascimento. Denuncia a História Humana como cenário do Absurdo e da Injustiça. E, diante dos amigos, nega-se a confessar-se para além do que já dissera. Jó se permite sofrer. Jó conhece a Indisponibilidade de Deus e dos homens e começa a adoecer de um mal maior. Jó estava ficando amargurado com as interpretações homens e com o silêncio de Deus...
E no seu desespero, ele constitui Deus seu Advogado contra Deus e os homens. As vozes tanto dos juízos humanos de seus amigos quanto as dos clamores de Jó cessam apenas quando Deus “responde” a Jó do meio de um redemoinho! Sempre me perguntei por quê Deus falou a Jó do “meio de um redemoinho”. Ora, a vida de Jó estava sob total poder avassalador. Sua existência havia sido “varrida” pela força daquele diabólico “tornado” que destruíra tudo o que ele amava e havia construído.
Daí, então, a imagem ser perfeita. Era como se Deus dissesse: “Eu estou no meio de teus tormentos!” O fato mais interessante é que o “meio do redemoinho” é um lugar de paz. Hoje sabemos que no “olhinho”, no centro das tensões que formam o fenômeno do redemoinho, existe um silêncio total, uma calma absolutamente chocante, uma “causa-paz” que contraria o “efeito-catastrofe” por ele manifesto. E aqui há uma “parábola”. Isto porque o redemoinho é produto de uma relação de causa e efeito estudável no universo das leis fixas. Mas, estranhamente, existe uma “contradição” nele, pois, no meio da devastação existe um lugar oposto, um lugar de paz. E é desse “lugar” que Deus fala a Jó.
E, assim, Deus usa um fenômeno de “causa e efeito” a fim de manifestar a “não-causalidade” dos efeitos que Jó experimentava na carne. Jó era vítima de fenômenos físicos e espirituais, mas seu Deus continuava o mesmo e não havia se permitido mudar pelas tormentas que quase mataram Seu “amigo Jó”. Na maioria das vezes é no meio do redemoinho onde se encontra a maior Graça!
Nele, Caio
Fonte: http://www.caiofabio.net/conteudo.asp?codigo=02618